link href='data:image/x-icon;base64 Blog do Fantasma - Notícias: Maio 2012

Ângelo Luiz De Col Defino fala sobre trajetória, conquistas e ressurgimentos do Operário Ferroviário ao longo de um século

As comemorações do centenário do Operário Ferroviário ganham mais um evento importante com o lançamento do livro “Imortal Operário Ferroviário – as histórias do Fantasma de Vila Oficinas”, do médico pediatra Ângelo Luiz De Col Defino, no próximo dia 24. O lançamento acontecerá no piso superior do Shopping Palladium, às 19 horas.

Descendente de uma família de operarianos, Ângelo pesquisa há vários anos a história do clube, buscando esclarecer e desmistificar fatos controversos, que se perpetuaram como mitos ou folclore envolvendo o Operário. “Muitas informações que circulam não são verdadeiras”, conta. Ele frisa que a revisão histórica foi feita a partir de pesquisas em jornais de época e documentos do clube.

Numa linguagem acessível, o livro recupera década a década a trajetória do clube, mostrando como ele contribuiu para o desenvolvimento do esporte e influenciou na formação de uma identidade cultural, através da sua ampla e sempre empolgada torcida. Leia a matéria completa visitando o Site Oficial do Operário Ferroviário.
 
 

Publicado em 03 de Maio de 2012, às 06h00min
Por: Emmanuel Fornazari, da Redação JM

Em homenagem aos 100 anos de história do Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), o Jornal da Manhã preparou uma publicação especial que foi distribuída com a edição de terça

Em homenagem aos 100 anos de história do Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), o Jornal da Manhã preparou uma publicação especial que foi distribuída juntamente com a edição de terça-feira, 01 de maio, dia do aniversário de fundação do clube alvinegro. Intitulado ‘A história de um clube centenário’, o encarte traz um material detalhado, com uma série de reportagens que descrevem, de maneira cronológica, a saga do Fantasma de Vila Oficinas.

Leia a matéria na integra...

Cem anos de história; cem anos de paixão

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Carlos Roberto Iurk (JMNews) 

Sala de Troféus do Operário Ferroviário Esporte Clube










Ao comemorarmos o Centenário do Operário Ferroviário, não podemos deixar de imaginar como foram os primeiros encontros dos jovens apreciadores e amantes de futebol que ocorreram no local onde hoje está edificada a Igreja São Cristóvão, no bairro de Oficinas. Não podemos deixar de pensar, também, no dia a dia do trabalho destes ferroviários que arduamente imprimiram seu esforço para garantir a prosperidade e o crescimento de Ponta Grossa e de todo o país através das ferrovias.
Imaginamos as dificuldades, a ansiedade e a vontade destes homens em transformarem um sonho em uma realidade: um time de futebol. E isso aconteceu, este sonho é uma realidade. O OFEC é o segundo time mais antigo e tradicional do Estado do Paraná.
Ao longo destes cem anos, o Clube foi aprimorado. O Operário cresceu, construiu um patrimônio, possui sócios no quadro social e, principalmente no aspecto do futebol, conquistou um exército de torcedores apaixonados e fiéis. Estes torcedores representam toda a força e a vontade dos primeiros ‘operarianos’, dos fundadores deste Clube chamado de Operário. E, mesmo nos momentos difíceis que o time passa, estes torcedores, estes operarianos de coração, nunca deixam de amar o nosso Glorioso Fantasma da Vila.
Ao comemorarmos o Centenário, queremos agradecer aqueles homens e mulheres que dedicaram seu tempo e trabalho para engrandecer o nosso OFEC. Agradecer a todos aqueles que seguem ao Germano Krüger para assistir aos jogos, aqueles que torcem ouvindo as transmissões via rádio, enfim a todos os que fazem parte desta história rica e próspera de um Clube que surgiu a partir de um sonho de trabalhadores, de operários.
Temos certeza que um futuro esplendoroso se aproxima para consolidar aquele sonho de cem anos atrás que foi se tornando realidade durante esta história de vida do Clube.
Parabéns OFEC
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Operário Ferroviário Esporte Clube comemora 100 anos

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Por Emmanuel Fornazari (JMNews)

No dia mais importante da história do Fantasma, a diretoria programa missa, carreata, homenagens, apresentação do hino e o clássico de masters Ope-Guá

A ansiedade acaba agora. O torcedor já pode tirar o grito da garganta e comemorar. Hoje, o Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC) completa 100 anos de fundação e uma grande festa está programada para acontecer por Ponta Grossa com o auge no Estádio Germano Kruger.
As comemorações, que ultrapassaram a noite de ontem com o Show do Centenário, prosseguem por toda esta terça-feira. Às 6h da manhã já aconteceu a Alvorada Festiva, com o despertar dos apaixonados pelo alvinegro através de baterias de fogos de artifício. Às 9h, o bispo de Ponta Grossa, Dom Sérgio Arthur Braschi, realiza Missa Campal no Estádio Germano Kruger. Na sequência, o “Trem Fantasma” sai em carreata pelas vias da cidade. “Queremos lembrar quando os torcedores iam viajar para acompanhar o Operário de trem, dando início a esse símbolo do clube”, explica o diretor de marketing, Ageu Diniz.

Da bola de capotão à transmissão em HD

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Márcio Krzyuy (JMNews)

Os abnegados operários ferroviários da extinta Viação Paraná Santa Catarina certamente não imaginavam que em 1912, quando se debruçavam sobre as mesas para discutir a difusão do futebol em Ponta Grossa, criavam condições favoráveis para o nascimento de um dos mais populares times do futebol do Paraná. Eles também emprestaram o nome da própria profissão para batizar a agremiação.
Deste esforço, de trabalhadores braçais responsáveis pela construção de ferrovia, além do progresso para a nossa região, nos deram de presente o Operário Ferroviário. Hoje, o glorioso alvinegro de Vila Oficinas entra para o seleto grupo de times brasileiros que atingem esta expressiva marca. Mais do que isso: construiu uma história de glórias e de conquistas.
Nomes como Paraílio Mendes, Romano, Pedro Wosgrau (Toco), Bonato, Pazinato, Tuffy, Arlindo, Ribamar, Brandalise, Sapuca, Gracindo, Adilson, Vilmar, Werner, Celso Reis, Toió, Admilson, Ladel, Drailton, Éder, Edenelson, Clóvis, Carlos Alberto Dias, Leomar, Liza, Ivan, Cambará, Serginho Paulista, Serginho Catarinense, Ceará, Mateus, Silvio, Neguete, Maikon e Baiano. Todos esses jogadores, cada um sua época, honraram as tradições operarianas, proporcionando alegria aos torcedores e contribuindo para esta rica história.
Para deixar marcado no manto da história esta data especial, o Jornal da Manhã publica nesta terça-feira uma edição especial comemorativa dos 100 anos do clube, com fotos inéditas; relatos de personagens que fizeram parte da trajetória alvinegra nessas dez décadas; entrevistas exclusivas com ex-jogadores e ex-diretores; além de muitas curiosidades.

Operários criam time de futebol em Ponta Grossa

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Operário começa sua história com funcionários da Rede Ferroviária que se reuniam para praticar o esporte após o expediente de serviço em meados de 1912
O time de 1916 contava com Michel Farhat, João Hoffmann,
Alexandre Bach, Alberto Meister, João Souza e Silvio Palermo
(em pé); Piva II, João Simonetti e Frehse (no meio);
Pedro Azevedo, Ewaldo Meister, Tito Piva, Paulistinha e Leão

Até pouco mais de 100 anos atrás, o esporte que hoje é o mais conhecido e aclamado do país, era algo desconhecido. Em 1900 foram fundados os dois primeiros clubes de futebol e a história ficou encarregada de registrar outros times que foram anotando seus nomes na linha do tempo do futebol. E lá, entre os primeiros do Brasil, o segundo no Estado, está encravado para sempre o nome do Operário Ferroviário Esporte Clube.
Os primeiros registros do esporte na cidade datam de 1909. O Operário, por sua vez, se originou pouco depois. De acordo com os relatos do livro “Fantasma da Vila”, escrito por José Cação Ribeiro Júnior, a bola começou a rolar para o lado de Vila Oficinas em meados de 1912, quando começaram a ser realizados os primeiros ‘treinos’ de futebol pelos trabalhadores construtores das ferrovias entre Paraná e Santa Catarina, em um campo localizado ao lado das oficinas da Rede Ferroviária, nas proximidades de onde foi construída a Igreja São Cristóvão. É assim que começa a historia do Foot-ball Club Operário Ponta-grossense – nome de fundação do clube.
O pesquisador e torcedor do clube, Ângelo De Col Defino, pediatra ponta-grossense que está lançando um livro sobre o Operário, entretanto, lembra que a criação da primeira diretoria ocorreu em 1913, em uma data ainda não identificada. “Um dos jornais da cidade da época informou, no dia 7 de abril de 1913, a criação da primeira diretoria do Operário. Mas essa é a data da publicação, vai saber quanto tempo ela demorou para ser impressa. O documento mais antigo do clube que tenho conhecimento é do irmão da minha bisavó, que assinou um canhoto de mensalidade, um recibo, como sendo em primeiro de abril de 1913”, recorda.
No ano seguinte, afirma a publicação de Cação Ribeiro, a data de 1º de maio foi eleita como a Data Magna a ser comemorada. “A data ficou oficializada no estatuto em 1914. O ano de 1912 fica como parâmetro porque nessa época já treinavam e uma data simbólica desse ano deveria ser escolhida. Como o primeiro de maio, na época, era o ‘Dia Universal do Operário’, foi consenso e de acordo a eleição da data para as comemorações”, explica Defino.
Ainda em 1914, Raul de Lara, primeiro presidente, passa o comando para João Fernandes de Castro e o clube passa a denominar-se “Operário Foot-ball Club” (OFC). É também em 1914 que surge o primeiro escudo do Operário. Na década seguinte, entre 1923 e 1926, o clube passaria a se chamar Operário Sport Club (OSC). O atual nome, Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), foi oficializado só na década de 1930.
O primeiro registro histórico de um jogo do Operário data de 5 de junho de 1914, em dois jogos, contra o Niterói FC e o Rio Branco. Em um dos primeiros prélios do alvinegro, o Operário entrou com o seguinte time contra o Niterói F.C.: Moro; Azevedo e Jaceguay; Piva, Simonetti e Souza; Ewaldo Meister, Frigo e Oscar Serra; Frehse e Recotoffe – Esta é uma das primeiras escalações que se tem notícia no clube.
Em 1915 o Operário disputa uma espécie de série B do primeiro campeonato paranaense, consagrando-se campeão no ano seguinte. “Sem chances de jogar contra os grandes da capital, foram criadas várias ligas regionais, em que os times de Ponta Grossa jogavam com os clubes das cidades vizinhas”, afirma Defino. Em 1917 o Operário conquistou a segunda divisão do paranaense e, nos dois seguintes, o campeonato ponta-grossense.

Uniforme: As cores do preto e branco
Mais que uma simples cor escolhida a esmo por gerar um contraste, o pesquisador Ângelo Defino explica que a opção pelo preto e branco revelava a identidade do clube: um time livre de preconceitos, com integrantes de todas as raças. “O Operário foi um dos pioneiros no futebol brasileiro, pouquíssimos clubes deram abertura aos negros desde a sua fundação, o Vasco era um deles. E veja que estamos falando só 24 anos após a abolição da escravatura. O Coritba, por exemplo, só foi aceitar negros na década de 1930, o que faz do Operário o pioneiro no estado. Foi um dos primeiros também a abrir as portas para os trabalhadores humildes e para as mulheres na torcida”, destaca.

Operário é soberano no forte campeonato regional

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Mais que a regularidade dos títulos regionais e dos vices estaduais, algo mudou para sempre na década de 30: a denominação do clube. Time passa a ser conhecido como Ofec.

Na foto da metade da década de 1930 é possível notar alguns
importantes valores que passaram pelo Operário, como
Joanino, Chicharrão, Darío, Riva, o goleiro Carrica e Julio Pellisari
O futebol é rivalidade. A motivação está justamente no torcer, nas conquistas difíceis. E em se tratando de rival do Operário, não há nenhum outro time como o Guarani. Foi justamente na década de 1930 que começou a se formar, com mais força, essa grande rivalidade princesina. Depois de extinguir-se por 10 anos (entre 1917 a 1927), o Bugre – como é conhecido – passou a afugentar o Fantasma depois de sua reaparição. E o ápice disso foi em 1931, quando o Guarani mostrou sua real força para o Operário e obteve o título ponta-grossense, e foi disputar o titulo paranaense contra o Coritiba, tornando-se o segundo time do interior do estado a lutar pelo troféu estadual. O título, entretanto, ficou com o alvi-verde da capital, em uma apertada vitória por 2X1. Durante a década de 1930, outros dois times da cidade foram para a final estadual: o Nova Rússia (1933) e o Olinda (1935).
No caso do Operário, mesmo com a força ‘interna’ do futebol regional, foi uma das décadas mais importantes para o clube. Desde a fundação, os torcedores tornaram-se exigentes, já que todos se habituaram a se contentar, no mínimo, com os títulos regionais e a disputa da final do campeonato estadual contra os grandes da capital. E quando não ia bem, tratava de se munir para ‘não perder o embalo do trem’. Diante dos tropeços supramencionados, o Operário se fez mais forte nos anos seguintes, conquistando, entre 1932 e 1940, seis títulos da liga. Ou seja, consagrando-se “campeão do interior” por seis vezes. As conquistas ocorreram em 1932, 1934, 1936, 1937, 1938 e 1940. Em uma análise um pouco mais ampla, entre 1923 e 1940 foram disputadas 12 finais estaduais, porém sem jamais obter o êxito de erguer o troféu mais importante do futebol paranaense, restando aos torcedores o contento com o vice. O último time que se consagrou vice-campeão nessa sequência de glórias alinhou com Godêncio, Mario Godoy e Jaguariaíva; Flávio, Tio Chico e Ales; Valdinho, Paraílio, Viana, Gigi e Floriano na grande final do paranaense, contra o Altético, sofrendo um revés de 4X0 – na época o goleiro do rubro-negro era o Caju. O feito viria a se repetir somente em 1958, na era do futebol profissional.
Mais que a regularidade dos títulos regionais e dos vices estaduais, algo mudou para sempre na década de 30: a denominação do clube. Segundo Cação Ribeiro em sua obra sobre o Fantasma, o nome atual, Operário Ferroviário Esporte Clube (OFEC), foi declarado e oficializado no dia 15 de maio de 1933, exatamente duas semanas após o clube completar 21 anos, por proposição de Ricardo Wagner, o então presidente. A mudança de nome se deu, segundo o livro ‘Fantasma da Vila’, pela fusão com o Ferroviário, clube formado por funcionários da Rede Ferroviária Paraná – Santa Catarina. Um clube social, na verdade, que nunca formou um time para disputas esportivas oficiais.

Quem foi Germano Krüger? A história da construção de um estádio
Foi ainda no final de década de 1930 que o atual estádio do Operário começou a tomar forma. Jogando no mesmo campo desde a sua fundação, em 1912, Cação Ribeiro esclarece, no livro “Futebol Ponta-Grossense: Recortes da História”, que uma campanha iniciada no dia 8 de dezembro de 1939 foi o pontapé inicial para a construção do tradicional estádio princesino, que viria a ser estreado em 12 de outubro de 1941, com uma vitória do time da casa sobre o UCA por 6X1. À época, Germano Ewaldo Krüger, que nomeia o estádio, era o chefe das oficinas da Rede Viária Paraná – Santa Catarina. “Foi proposta dele a mudança do campo e a construção do estádio. O Germano Krüger fez o possível para a construção daquele estádio, liberava os trabalhadores para trabalharem no campo”, analisa o pesquisador Ângelo Defino.

A época de ouro da rivalidade Ope-Guá

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Pela sua ligação com as oficinas, os torcedores do Operário eram chamados de graxeiros. Enquanto que a torcida do alvinegro chamava os ricos torcedores do Guarani de pó-de-arroz

Longe das finais do Campeonato Paranaense e dos vices estaduais que viraram costume nas décadas anteriores, o Operário sempre manteve a regularidade das glórias locais durante a década de 1940: foram sete títulos ponta-grossenses de 1940 a 1949. Cabe destacar, no entanto, que entre 1941 e 1946 o campeão da liga não disputou o campeonato do interior e o estadual. Em 1947, em prélio contra o Rio Branco, o Operário foi o campeão do interior ao vencer os dois jogos contra time de Paranaguá. Mas, como não houve o embate do estadual contra o campeão da capital, o Coritiba, foi considerado campeão estadual e o Ferrovário, também de Curitiba, o vice.
Operário tricampeão do interior em 1947. Em pé: Chiquinho,
Aluízio, Djalma Dias, Adelar (Pintado) e Jair;
Agachados: Lourival, Bonato, Toco, Pazinato,
Wilson Tite, Dino e Pila - Arquivo Cação Ribeiro
O Atual prefeito de Ponta Grossa, Pedro Wosgrau Filho, revelou a importância da década para sua família. Seu pai, Pedro Wosgrau, conhecido como ‘Toco’, atuou entre 1945 e 1949 pelo alvinegro de Vila Oficinas. Apontado como um dos grandes goleiros da história do time, fechava a retaguarda em conjunto com os zagueiros Bonato e Pazinato, como um trio de ferro, como aponta Wosgrau. “Ele não jogou só no Operário, mas meu pai sempre sentia muito orgulho em ter jogado futebol. Naquela época muito se falava do trio de defesa ‘Toco, Bonato e Pazinato’, ele sempre falava sobre isso, contando cada momento importante que passou com o Operário. Meu pai era muito próximo deles, foram amigos até o fim da vida”, destaca, dizendo que nunca teve a oportunidade de ver seu pai atuando nos campos por ter cinco anos quando Toco deixou os gramados.
“O final da década de 1940 até 1951 ou 1952, mais ou menos, foram os anos áureos do futebol ponta-grossense”, analisa Antônio José França Satyro, ex-professor universitário e ex-jogador do Guarani. Ele defendeu por três anos as cores do Bugre, de 1949 – quando veio de Bauru, São Paulo – até 1951. “Naqueles tempos, além de Operário e Guarani, tinha o América, com um excelente time, o Palmeiras, o Caxias, o Olinda, o UCA. Eram grandes disputas dentro de campo. E vinham muitos torcedores, inclusive de fora, como de Irati, Castro. Lembro uma vez uma faixa de Laranjeiras do Sul em um Ope-Guá, mesmo com as dificuldades da época. É para ver como se tratava de um embate famoso”, ressalta. “Acompanhei vários Ope-Guás, o jogo era um grande acontecimento mesmo na cidade. Era como o famoso Atle-Tiba na capital (Atlético X Coritiba)”, completa Wosgrau.
O comentarista e jornalista esportivo Altayr Bail explica que, além da rivalidade em campo, havia todo um simbolismo social por trás do embate. “O Ope-Guá tinha uma rivalidade muito interessante, além de lotar os campos, motivava os clubes a fazerem algo mais para ir melhor, movimentava a cidade. Se falava uma semana antes e uma semana depois, já que as torcidas rivalizavam muito. Pela sua ligação com as oficinas, os torcedores do Operário Ferroviário eram chamados de ‘Graxeiros’ pelos adversários, que geralmente tinha torcedores de baixa renda; enquanto que a torcida do Operário chamava os ricos torcedores do Guarani de ‘Pó de Arroz’. A torcida do Operário sempre foi muito maior, e a do Guarani era chamada de ‘torcida qualificada’. Tudo isso dava um conteúdo especial nas semanas do clássico. Se Guarani continuasse, o futebol seria mais rico e interessante”, acredita.


O profissionalismo chega aos clubes ponta-grossenses

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Nos primeiros anos de profissionalismo, mesmo o histórico time de 1961 do Operário, o salário era o que menos importava para os jogadores

O futebol fica mais sério com a chegada do profissionalismo.
O Operário conquistaum vice-campeonato paranaense e
começa a montar a base do time campeão em 1961
Em Ponta Grossa e no Estado, a década de 1950 tornou-se um marco na história do esporte com a profissionalização do futebol. Cação Ribeiro, em sua obra sobre o futebol da cidade, traz a informação de que o profissionalismo chegou em 1953, com o apoio da Federação Paranaense de Futebol. No ano seguinte o Guarani foi convidado para participar do Paranaense e aceitou. O Operário, por sua vez, passou a fazer parte do Campeonato Paranaense somente no ano seguinte.
Apesar o profissionalismo, era uma época bastante diferente de hoje. “Na minha infância, enchia de piazada na portaria do estádio e ficávamos aguardando os figurões que escolhiam dois ou três para entrar. Eu ia com meu irmão, mas no final dava tudo certo, todos entravam. Muita gente ia também assistir aos treinos nas terças e quintas, por volta das 17h, depois do expediente de trabalho, já que a maioria dos jogadores trabalhava na Rede. Quem era torcedor mesmo, ia ver, porque já dava para ter ideia de quem ia entrar em campo nos jogos. Como não tinha alambrado ainda, a gente ficava atrás do gol, pegando as bolas nesses treinos. As vezes vinham uns torpedos e não dava tempo de se esquivar, principalmente do Duílio Dias, o ‘Canhão de Vila Oficinas’. Até os goleiros tinham medo dele”, recorda o fotógrafo e torcedor Domingos Silva Souza. Após as magníficas atuações pelo Operário, a revelação alvinegra foi contratada pelo Coritiba, tornando-se artilheiro do certame profissional por cinco vezes (54, 57, 58, 60 e 63), conquistando cinco títulos com o time curitibano.
Altayr Bail, comentarista esportivo, ressalta que, nesses primeiros anos de profissionalismo, mesmo o histórico time de 1961, o salário era o que menos importava. Era uma época em que os torcedores podiam torcer, de fato, por uma equipe de jogadores que tinha amor à camisa e se doavam para o esporte puro, sem interesses. “O Operário tirava jogadores do Guarani e vice-versa, mas não era por salário, era mais a proposta, o valor da camisa, de jogar naquele clube. Havia mais raça, vontade, dava para ver que a camisa pesava. Os esquemas de jogo também eram muito diferentes. Mesmo o Pelé, hoje, não teria tanto espaço para jogar. Em 58, ele fez 58 gols, sendo oito só em uma partida. Algo que não aconteceria nos dias atuais”, completa.
Em 1955, participando de seu primeiro Campeonato Paranaense profissional, o Operário terminou em uma modesta sexta colocação. Mas o time foi escalando aos poucos até chegar ao vice-campeonato, em 1958. “Bons valores como Alex, Otavinho e Zeca fizeram o Operário Ferroviário vice-campeão paranaense de 1958. Ao longo do campeonato, o Alvinegro de Vila Oficinas contou com jogadores como Antoninho, Lelo, Candinho, Arnaldo Mendes, Jango, Abelardo, Alex, Roberto, Hélio Dias, Odácio, Otavinho e Sílvio”, aponta Cação Ribeiro na sua obra sobre o futebol ponta-grossense, destacando o vice, com apenas dois pontos de desvantagem para o campeão Atlético Paranaense, como “o maior feito até então conquistado”. Em 1959, o Coritiba foi o Campeão Paranaense e o Operário terminou em sexto. O artilheiro da competição foi atacante Zeca, craque do OFEC, que anotou 26 gols.

O auge das conquistas alvinegras, o último troféu estadual

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

O título da Zona Sul contra o Coritiba e a derrota na grande final de 61 para o Comercial marcam a década. Time decai, é rebaixado e depois ganha seu último campeonato

Quando se fala em década de 1960 no Operário, se fala na maior conquista do clube: encarar o Coritiba de igual pra igual em quatro jogos na final de 1961 e ser aclamado com o título da Zona Sul do Campeonato Paranaense. O time de 1960, não apresentou um bom rendimento e terminou o campeonato estadual na sexta colocação. Em 1961, o time sofreu apenas duas derrotas em 23 jogos. “Era uma equipe bastante mesclada, com jogadores novos, como eu e o Daniel, e jogadores mais velhos, como o Otavinho. Pode ser por isso que deu certo”, relembra Leocádio Consul, um dos craques do time de 1961, o camisa nº 10 daquele elenco.Para que o Operário pudesse passar para a grande final da Zona Sul e enfrentar o Coritiba, campeão do primeiro turno, o Operário precisava vencer o último jogo contra o Iraty na casa do adversário, em uma disputa direta da vaga para a final. “Daqui foram 18 trens lotados de gente, mais de 1.200 pessoas estiveram lá torcendo pelo Operário”, revela o torcedor e pesquisador Ângelo Defino. Após um jogo aguerrido, a vitória veio pelo placar mínimo. “Ganhamos de 1X0. Eu mandei pro Sílvio e ele carimbou. Eu matei na mão aquela bola que passei pro Sílvio”, confessa Leocádio. “O Operário ganhou pela torcida. O Iraty tinha um timaço, com ataque arrasador. Foi um jogo dificílimo, verdadeira guerra campal, com gol de Sílvio Cosmoski, um tirambaço de fora da área. No final houve briga entre as torcidas, uma confusão total, até o trem foi apedrejado”, diz Altayr Bail. A festa em Ponta Grossa foi gigantesca.
O histórico time que venceu o Iraty com Ribamar, Roberto,
Daniel Chibisnki, Laércio, Arlindo, Hélio Silvestre;
Jairo, Fiuza, Silvio Cosmoski, Leocádio e Otavinho.
Depois desse desafio superado, a missão era despachar o Coritiba em três jogos. O primeiro jogo foi na capital, no Belford Duarte, campo do alviverde. Superando todas as expectativas o Operário surpreendeu os donos da casa. “Ganhamos aquela primeira partida lá por 2X0. Nesse jogo eu tive uma trinca no peito do pé. No intervalo, o médico anestesiou, enfaixou, passou esparadrapo e voltei em campo. Foi uma das melhores partidas que fiz como profissional, talvez a melhor que fiz na vida. Os gols foram do Sílvio e do Otavinho, ambos com assistência minha”, recorda Jahir Pawloski, o Jairo, um dos guerreiros daquele time. No segundo jogo, bastava uma simples vitória em casa para consolidar o título. Porém o Operário não conseguiu ser superior ao rival e o empate foi inevitável. “Ainda sem se recuperar totalmente da fratura no pé, joguei aqui no Germano no domingo seguinte e fiz o gol naquele jogo que terminou empatado. Foi inesquecível, uma alegria imensa aquela torcida toda gritando, uma de minhas maiores glórias no esporte”, lembra Jairo. “Encheu de gente o campo aquele dia. Lembro que tinha por volta de 11 mil pessoas em Vila Oficinas. Assisti no alambrado por um frestinho”, afirma Domingos.
O terceiro jogo foi em Curitiba, novamente no estádio do Coxa. Bastava um empate para o alvinegro. Mas o placar teimou em ser desfavorável ao Operário em 3X0. “Fizeram então um quarto jogo, que em teoria seria em um campo neutro”, explica Altayr Bail. O campo escolhido, segundo Leocádio, foi o do Ferroviário. É o famoso e polêmico jogo do impedimento não marcado no gol do Coritiba. “O Militnho estava dois metros impedido. E ele sabia, depois do chute virou e nem comemorou. Mas o árbitro validou”, completa. O prélio foi para a prorrogação, mas ninguém anotou e o Coritiba comemorou o título. Edmundo Giostri, diretor de futebol do clube, contou um episódio curioso. “O detalhe é que eu dirigi o clube nos dois jogos da final lá em Curitiba. O treinador, Joaquim Loureiro, que era do Rio e assumiu o clube depois do Hortêncio, veio falar comigo e disse que não ia ficar. Eu tenho a impressão de que o Coritiba andou dando dinheiro pra ele”, acredita.
Os craques de 1961 recebem, no Germano Kruger,
a faixa de campeões da zona sul
Entretanto a batalha não acabou aí. O Paraguaio naturalizado brasileiro Agapito Sanchez era amador em Guarapuava e não havia completado o estágio legal antes de jogar profissionalmente pelo Coritiba. O Operário entrou com um recurso. Edmundo Giostri conferiu de perto a questão nos tribunais. “Eu estava lá no Supremo. Lá eles deram ganho causa pra nós. O juiz perguntou: ‘você não quer eu decida a outra fase? Se quiser decidimos e ponto final’. Aí o nosso advogado disse ‘não, vamos resolver em Ponta Grossa’. Aí demorou ser julgado e depois tinham vendido boa parte dos jogadores quando precisou jogar”, recorda. “Por uma canetada o Operário poderia ter sido o campeão paranaense, mas preferiram ganhar em campo para ficar mais bonito”, completou Bail.
Com o resultado favorável e o título da Zona Sul, a quinta-feira foi de grande festa na cidade.

A derrota final estadual
Para ser campeão estadual ele precisava vencer o triangular que contava com a Associação Esportiva Jacarezinho (Zona Centro Oeste), e o Comercial de Cornélio Procópio (Zona Norte). O Operário perdeu o jogo contra o Comercial foi vice. “O time desfez quando foram realizados os jogos. Fomos jogar o primeiro só em agosto de 62. Dos 11, só cinco ou seis ficaram e a maioria estava fora de forma”, declara Jairo. A falta de estrutura, segundo o craque, também foi um agravante. ”Viajamos em um ônibus como desses de transporte escolar de hoje, sem sequer ter banco reclinável. Passamos a noite inteira viajando. Eu viajei deitado no corredor do ônibus, no piso, fazendo da minha bolsa o travesseiro para tentar dormir um pouco para tentar render mais no jogo. Eu particularmente acho que esses jogadores foram os verdadeiros heróis”, completa Jairo. “É preciso entender a mentalidade da época. Para o torcedor, era a Zona Sul que interessava, o vencedor dali era considerado o campeão do estado - e isso vencemos. É como a Champions League na Europa, que é mais importante para os clubes de lá do que o Mundial”, compara Defino.
Neste meio tempo, no início de 1962, o Operário disputou o ‘Torneio da Legalidade’, considerado um ‘Sul-brasileiro’, que reunia o campeão e o vice dos estados do sul do país no ano anterior, Pela importância da Zona Sul, Operário e o Coritiba foram os representantes paranaenses, encarando rivais como o Grêmio e o Internacional de Porto Alegre, o Marcílio Dias e o Metrópole. O Operário chegou a arrancar um empate do Internacional em Porto Alegre, mas com apenas três vitórias em 10 jogos, terminou a competição em 5º.

Após o revés na final, o declínio do clube
Desde então, o Operário nunca mais foi o mesmo. Uma de suas piores campanhas na história foi no Campeonato Paranaense da Zona Sul de 1965, quando venceu apenas duas partidas em um campeonato de 24 jogos. O Operário foi rebaixado. O clube permaneceu como coadjuvante nesta divisão até 1969, quando voltou a erguer um troféu. Foi o último título do Operário. “O time de 1969, embora na segunda divisão, fez uma campanha belíssima e empolgou os torcedores. Depois de perder a primeira, contra o Rio Branco, não perdeu mais”, explica Altayr Bail. Decidiu então o título com o Comercial de Cascavel, campeão da outra chave. Na melhor de três partidas, foi surpreendido em Cascavel no primeiro jogo, mas se recuperou e venceu os dois seguintes, sendo o último deles no “Durval de Britto e Silva”, com o placar de 2X0, anotados por Camalofski e Padreco.

JAIRO:
Memória visual da final contra o Iraty
Quando fomos decidir o segundo turno em Irati, o nosso técnico, Hortêncio de Souza, deu um grito apontando pro lado quando nosso ônibus fazia uma ultrapassagem na estrada que ainda era de pó, para Irati, ‘Olhem, vejam por que vocês precisam ganhar esse jogo’. Os torcedores do Operário estavam num caminhão de porco, deitados onde iam os porcos. Na minha opinião, ali nós ganhamos do Iraty. Lembro que me emocionei muito, chorei de ver aquele pessoal. Eu era muito criança ainda. O mais impressionante era ver que eles estavam deitados mesmo onde iam os porcos, e não de pé. Depois, quando chegamos em Irati, o restaurante que ia dar almoço se recusou a nos dar o alimento. Aí nós almoçamos no restaurante do Trem Fantasma. Comemos bem, o ‘chef’ do restaurante era pai do Engenheiro Ubiratan Martins, o ‘Seu’ Gaudêncio Martins, que acolheu a delegação do Operário, fez o almoço para nós e almoçamos no vagão restaurante mesmo. Uma grande emoção foi ver, numa curva, naquela maquina estava escrito ‘Torcida volante do Operário. Trem Fantasma’. Na volta, após a vitória nossa, o pessoal apedrejou o trem.

Crise afasta agremiação do futebol profissional do Paraná

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Time se licencia do futebol profissional em 1971 e retorna somente em 1974. Depois encerra década participando da ‘Taça Brasil’ – o Campeonato Brasileiro Série A da época

Um dos jogos disputados na Copa Brasil contra o Chapecoense,
com a arquibancada modular instalada. Em pé: Renatão,Mineiro,
Osni, Miranda, Milton do Ó, Luiz Carlos; Agachados: Paulo Borges,
Dagoberto, Silva, Raul Santos, Doquinha - Arquivo Cação Ribeiro
No ano anterior, a glória; no seguinte, a obscuridão: o Fantasma sumiu. Sem apresentar um bom futebol na Divisão Especial em 1970, terminando o campeonato em 12º entre 14 clubes, o time se licenciou do campeonato e deixou de existir nas competições profissionais. “Depois do título de 1969, o Operário teve uma queda muito grande em 1970 e acabou se licenciando do Paranaense, tanto ele quanto o Guarani”, revela Altayr Bail. Foi o fim da linha definitiva para uma dessas agremiações: o Bugre jamais voltaria a disputar uma competição oficial.
Com o fim do futebol profissional, os plantéis dos times de Ponta Grossa foram então para a Associação Pontagrossense de Desportos, que passou a representar a cidade na Divisão Especial do Paranaense. Sem nunca empolgar muito, mesmo com um terceiro lugar no Paranaense de 1973, a Pontagrossense deixou de existir neste ano.
“Em 1974 o Operário voltou com Odilon Mendes, que foi um grande presidente, que tinha um amor incomensurável pelo clube”, destaca Diomar Guimarães, comentarista esportivo e torcedor fanático do Operário.
O time fez uma campanha razoável e terminou em oitavo em sua reaparição na divisão especial do Campeonato Paranaense. Porém os resultados não apareceram nos anos seguintes. “Tivemos muitos jogos difíceis, passávamos problemas como hoje, o time não ficava em boas colocações. Mas na época que eu estava jogando, a gente nunca era goleado, nunca perdia por um placar maior que 3X1”, declara José Gracino Sobrinho, o ‘Gracindo’, ex-jogador que tem um amor indescritível pelo time. Discretas posições em 1975 e 1976, com uma 11ª e uma 12ª colocações no Campeonato Paranaense, respectivamente, resultaram em um trágico 1977: a queda da Divisão Especial para a então Primeira Divisão – conhecida hoje como série B.
“O Operário teve muitos problemas. Bernaldo Brito Costa tirou o time do campeonato em 1977, disse que não tinha dinheiro. Aí caiu pra segunda divisão novamente”, lembra Altayr Bail. O time não disputou o campeonato profissional em 1978.
Com Antonio Luis Mikulis no comando, Operário retornou em 1979 na primeira divisão do Paranaense e participou da ‘Copa Brasil’, uma edição a nível nacional do Campeonato Brasileiro Série A, que reuniria 94 agremiações de todo país. Uma reestruturação que começou nos bastidores em 1978. “O Prefeito Luiz Carlos Zuk, que tinha assumido a prefeitura, demonstrou muito interesse em ajudar o Operário. No ano seguinte, em 1979, o Mikulis, que era secretário de finanças do Zuk, assumiu a presidência do clube. Aí as coisas se encaminharam muito bem. Havia na época uma empresa de economia mista, a CIDEP, que fazia as obras da Prefeitura e ela começou a realizar obras no estádio, como fazer as arquibancadas, colocar as cadeiras, os refletores. Ninguém fez obra maior. Se não fosse a CIDEP, o Operário provavelmente continuaria com o mesmo estádio que tinha”, recorda Altayr Bail. O Campeão Brasileiro foi o Internacional de Porto Alegre.

Estreia dos holofotes e recorde de público na Copa Brasil
Para que pudesse disputar o campeonato nacional, algumas exigências foram requeridas pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos), todas atendidas pelo presidente do clube e pelo prefeito Luiz Carlos Zuk, que atuou como jogador do alvinegro na década de 1960. “A condição era ter um estádio para 25 ou 30 mil pessoas, algo assim. Nós trouxemos aquelas arquibancadas modulares do Rio e fizemos um estádio para 36 mil pessoas. Naquela época nós colocamos 20 mil pessoas no estádio no primeiro jogo, creio que esse tenha sido o maior público do Germano Krüger. Foi num jogo noturno, quando estreamos a iluminação nova no estádio”, afirma Mikulis. A contagem oficial, entretanto, registrou 9.399 pagantes e é apontado, oficialmente, como o maior público já registrado no estádio até hoje. “Essa estreia dos refletores ocorreu contra o Brasil de Pelotas, em um jogo que terminou empatado em 1X1”, recorda Bail. O Alvinegro terminaria o campeonato em 88º entre os 94 clubes, com apenas cinco pontos ganhos, em uma campanha com duas vitórias, um empate e seis derrotas.

CBF põe Operário para disputar a Série Prata do Brasileiro

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

A Participação na Série Prata do Brasileirão, a queda para a Segunda Divisão em momento conturbado e a reascensão para mais um Campeonato Brasileiro Série B

Formação do início da década de 1980 com Gracindo, Chicão,
Andre, Ademir,Ladel e Marcelus;
Agachados: Adilson, Humberto, Guerra, Nardo e Peninha
Arquivo Cação Ribeiro
O campeonato brasileiro de 1980 sofreu uma grande reestruturação. Após a extinção da CBD, em 1979, e o surgimento da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a instituição reorganizou o campeonato nacional. Já saturado com os 94 clubes que disputaram o ‘Brasileirão’ no ano anterior, eis que houve a partilha do campeonato, a princípio, em duas divisões: Taça de Ouro (Série A) e Taça de Prata (Série B). Pela campanha razoável apresentada na Copa Brasil do ano anterior, a CBF designou que o Operário participasse da Taça de Prata. Nela, o alvinegro foi eliminado na primeira fase e concluiu a competição em 53º entre os 64 participantes.

No campeonato paranaense, para a alegria dos abatidos torcedores, o Operário apresentou um desempenho melhor. A disputa daquele ano reunia 20 clubes, mas havia a necessidade de reduzir esse número para 12, a pedido do Conselho Nacional dos Desportos (CND). “Oito se classificaram para a disputa final e 12 ficaram para o ‘Torneio da Morte’, inclusive o Atlético Paranaense e o Operário. Foram disputar os 12 para permanecerem quatro na primeira divisão e cair oito. Foi um dedéu e se mantiveram o Atlético, o Operário, o Paranavaí, e o Matsubara”, afirma o comentarista Diomar Guimarães.
O ano de 1981 começou com boa apresentação do setor defensivo, com um bom rendimento no primeiro turno da primeira divisão, passando para o quadrangular final da disputa do turno. “Em 1981 nos classificamos para o quadrangular, que participaram Atlético, Londrina e Maringá. Nessa época, em 11 jogos, tomei só dois gols. Ou seja: somando esse primeiro turno com todo campeonato anterior, levei só seis ou sete gols”, afirma Agenor Suzano dos Reis, o Ladel. No segundo turno a equipe não apresentou bons resultados, terminando a competição em sexto lugar, que naquele ano não dava vaga para a Taça de Prata do ano seguinte.
O Campeonato Paranaense foi reestruturado e o Operário foi convidado, no início de 1989, a integrar a primeira divisão daquele ano. Mikulis voltou a assumir a presidência em 1989 e, em julho, o clube foi convidado pela CBF para participar do Campeonato Brasileiro. Sem empolgar muito no paranaense, terminando em 12º, o time engrenou para o brasileiro. “Esse brasileiro de 1989 reuniu quase 100 clubes. O campeonato foi inchado pela política do encerramento da ditadura, e o Operário se saiu muito bem”, analisa o atual presidente Carlos Roberto Iurk. Entre os 96 participantes, o Operário avançou até as oitavas de final, quando foi eliminado pelo Juventude após dois empates. Terminou na 11º colocação.

Clube oficializa incorporação de terrenos da Rede e da prefeitura
O terreno do Parque Social, desde onde se encontra a arquibancada mais alta, não pertencia ao Operário, mas à prefeitura. Luiz Carlos Zuk entrou com a solicitação de doação do terreno ao Alvinegro – fato que veio a se concretizar em 1985, quando o prefeito era Otto Santos Cunha. A conquista territorial não para aqui: o terreno ocupado pelo Operário que pertencia à Rede Ferroviária, que compreendia desde o meio do campo até o muro das oficinas da Rede, também foi legalizado em 1985, em um acordo com a Prefeitura e o secretário Vicente Hajaki Ribas. Segundo Diomar Guimarães, a incorporação dos terrenos foi uma vitória de do presidente Dino Colli, e hoje o campo é impenhorável.

Com a palavra, Ladel e seu recorde estadual de invencibilidade
“No campeonato de 1980 eu bati o recorde paranaense sem tomar gol, ficando 11 jogos e 37 minutos ou 1027 minutos sem levar um gol. Acredito que este recorde paranaense ainda seja meu. Como eram 12 times, 11 jogos em cada turno, passei um turno inteiro sem tomar um gol. Acho que no campeonato todo eu levei apenas três ou quatro gols”.

Uma década marcada por incertezas e turbulências 

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Após boas apresentações no início da década, o Operário decaiu. Temendo a perda do patrimônio por dívidas, diretoria licencia o time do futebol profissional em 1994

O plantel do início da década de 1990 contava com valores como
Chicão, Ricardo, Pompéia, João Marcos,Carlinhos, Alemão, Éder,
Antunes, Duda, Alex, Serrano, Biro Biro, Ricardinho,
entre outros craques.
É bem provável que esta foi a década mais fatídica e indigesta do futebol operariano. Antes da metade da década o futebol profissional fechou as portas e assim permaneceu até o fim dos anos 90, sem se falar ou ter perspectiva de uma volta. Quem viu o alvinegro no início da década, não fazia ideia dos tempos obscuros que estariam por vir. Com uma participação razoavelmente expressiva no brasileiro de 89, o alvinegro iniciou 1990 bem estruturado. Na série A do Paranaense e na segunda divisão do Campeonato Brasileiro, demonstrou um bom futebol no estadual. Cação Ribeiro em ‘O Fantasma da Vila’ revela que o clube Classificou-se em primeiro, junto com o Grêmio Maringá, para a fase seguinte, um hexagonal que foi superado, chegando à semifinal, contra o Atlético Paranaense. A outra semifinal foi composta por Coritiba X Paraná Clube.
O Operário ganhou aqui por 2X1, bastava um empate para o Operário lá na Vila Capanema. E perdemos aquele jogo por 1X0, em um gol de pênalti. Como zerou e o empate era do Atlético, ele enfrentou o Coxa na final e o Coritiba foi o campeão. Se nós disputássemos contra o Coritiba na final, certamente seríamos campeões”, declara Diomar Guimarães. “Aquele jogo que o Operário perdeu de 1X0, em um gol de pênalti que foi cometido pelo João Marcos, meu amigo, recém-falecido, em uma atrasada esquisita do Alexandre para o goleiro, foi minha maior decepção com o Operário, já que ele tinha chances reais de conseguir o título paranaense. A imprensa noticiou que poderia ter havido uma venda naquele jogo, enfim… pra mim foi o episódio mais triste como torcedor”, declara Julio Cesar Gonçalves, radialista esportivo e ex-jogador de futebol que teve uma rápida passagem pelo fantasma.
Na série B do brasileiro o desempenho também empolgou. O Operário avançou até a semifinal, que era um quadrangular. Com uma vitória e dois empates, o clube se encaminhava para a final. Mas duas derrapadas diante do Criciúma e da Catuense fora de casa tiraram o Operário da briga. “O Atlético e o Sport fizeram a final e subiram. O Operário conseguiu ganhar dos dois aqui no Germano, mas perdeu para os mais fracos. Por um ponto ele não subiu pra série A do brasileiro”, lembra Defino. O último jogo do Operário foi contra o Atlético Paranaense. “O Atlético veio pra cá precisando vencer, se não iria depender do resultado do Criciúma. No estádio tinham 5 mil torcedores do Atlético e só 500 do Operário, Curitiba veio inteira aqui, invadiu a cidade, era época de München. Quando entrei no campo, que eu ficava sentado no banco, os torcedores ficaram pegando no meu pé, xingando: ‘já vendeu o jogo, Mikulis (…)?’. Mas fomos pro jogo e o Atlético começou ganhando de 1X0. Aí que ganhamos aquele jogo de virada por 2X1. O Nikinha Oliveira fez um golaço de bicicleta. Depois disso, o que o torcedor ia falar? Por um ponto não classificamos. Se tivesse ganho aquele jogo que empatamos aqui contra o Criciúma ou ganho na Bahia contra a Catuense, teria classificado”, recorda Mikulis.
As temporadas de 1991 e 1992 apresentaram uma pequena queda de rendimento nos campeonatos, mas ainda assim com resultados expressivos: 3ª posição na série A do estadual e 29º entre 64 clubes na série B do Campeonato Brasileiro em 1991; 4º na série A do estadual e 6º entre os 20 participantes da série C do Campeonato Brasileiro.
Em outubro de 1992, revela Guimarães, em uma reunião do conselho deliberativo, Carlos Roberto Iurk demonstrou a vontade de ser presidente do Operário. À época, o presidente era Carlos Antonio Pellisari, com Mikulis de diretor. “Eu tinha o desejo da presidência. Já tinha sido presidente do Clube Verde e do ARHT, e um grupo amigos sugeriram que eu fosse presidente do Operário. Eu fazia parte do conselho deliberativo do clube nessa oportunidade, participando das reuniões, e via as dificuldades da diretoria, através o Mikulis, de encontrar uma pessoa que quisesse assumir o Operário. Naquela oportunidade eu me propus a assumir e me coloquei a disposição. Já que não tinha ninguém e eu queria, não teve nem eleição, me tornei presidente”, explica Iurk. “Naquele momento ninguém queria ser presidente do clube. E o Iurk, torcedor fanático, demonstrou o interesse. Então o apoiamos”, completa Mikulis.
Iurk explica que o clube passou por momentos de grandes dificuldades financeiras que impossibilitaram uma campanha melhor nos campeonatos em que estava como presidente. Em 1993, por exemplo, ficou na primeira fase e disputou um torneio da morte, para decidir os times que seriam rebaixados. Para o alívio dos entusiastas, o Operário escapou da segunda divisão. Entretanto, no ano seguinte, o clube não teve a mesma sorte. “A minha passagem pelo Operário foi justamente em 1994, quando fiz toda a pré-temporada, mas não assinei o contrato. Neste ano foi uma grande tristeza, o time caiu duas vezes de divisão no mesmo ano. Caiu da primeira para a segunda no primeiro semestre e, ao tentar a vaga para disputar novamente a primeira divisão no ano seguinte, caiu da segunda para a terceira divisão no segundo semestre. Foi uma derrocada dupla que fez parar o futebol profissional”, aponta Julio Cesar Gonçalves.
Aí surge a questão de 10 entre 10 torcedores: será que um rebaixamento para a terceira divisão deveria representar o fim do clube? O presidente da época (e atual), Carlos Roberto Iurk afirma que pelas circunstâncias e os riscos, a atitude era necessária e foi uma medida radical acertada. “Não tinha condição de manter. Pelas dívidas, ou nós salvava o patrimônio ou nós continuávamos o futebol naquelas condições. Então eu, junto com a diretoria da época, resolvemos licenciar o Operário e acertamos. Tanto que o time e o patrimônio estão aí. Posteriormente o time voltou para a primeira divisão na minha mão e o patrimônio continua com nós. Era um sacrifício, mas que se fazia necessário na época. E tinha que haver essa preocupação com o patrimônio. Tirando os times da capital, no interior do estado só o Operário e o Iraty possuem estádios próprios, o resto são todos da prefeitura, não possuem um palmo de terra” declara o presidente.
Iurk confessa que a derrota seguida da eliminação, que geou o licenciamento do time em 1994, foi o momento de maior tristeza como dirigente. “Aquele foi o momento de maior decepção da minha vida como dirigente de futebol. Todo mundo me abandonou, todos, e eu me vi sozinho exatamente nessa sala aqui [sala dos troféus], com uma fila de jogadores pra acertar. Tive de vender um caminhão na época, mas paguei todo mundo, tudo certinho, e saí com cabeça erguida do clube. E mesmo assim voltei a assumir a presidência alguns anos depois, o que mostra minha paixão pelo clube. Gosto e nunca fugi da responsabilidade”, declara o emocionado presidente.
Para 1995, entretanto, a cidade não ficou sem um representante no futebol profissional. Surge o Ponta Grossa Esporte Clube, que levava as cores da bandeira da cidade. “Nós então fundamos o Ponta Grossa. E foi difícil tocar o Ponta Grossa, porque era um time assim que não tinha torcida, parecida com a história do Paraná Clube: Se o time estivesse bem, ia ver. Se não, não tinha sócio nem nada. Diferente do Operário, era um clube sem tradição”, admite Mikulis. “O Ponta Grossa não deu certo porque o que faltava para o time era torcida – e era o que o Operário tinha. O Ponta Grossa não tinha identidade e o Mikulis sentiu isso. Teve até aquela incorporação do nome ‘Operário’ ao Ponta Grossa (1999), que deu uma melhorada, mas não era o Operário, faltava o calor da torcida”, conclui Bail.


Após dez anos, Operário retorna ao futebol profissional

Publicado em 1 de maio de 2012 
Por Fernando Rogala (JMNews)

Dez anos longe dos gramados, Operário retorna ao futebol profissional por arrojo da diretoria em 2004. Episódios conturbados e a volta à elite do futebol mercam 2009
.
Em 2008, o Operário realizou uma boa campanha na Série B
do Paranaense, mas não obteve a classificação para a elite no
último jogo, em Foz do Iguaçu, em uma partida que não foi até o fim
Com o licenciamento do Ponta Grossa e a posterior parceria com a ADAP, de Campo Mourão, a cidade ficou sem um clube para disputar o campeonato paranaense de futebol profissional. “O Mikulis já estava desgastado e surgiu essa proposta do Campo Mourão. Sem um time de futebol, o Operário se entusiasmou em voltar com o Silvio Gubert, então presidente. Eles retornaram em 2004 na segunda divisão”, diz o comentarista Altayr Bail. “Como o Campo Mourão subiu em 2003, ano da parceria, a ADAP já não mais interessava para eles em 2004. Então eles me devolveram o Ponta Grossa. Como o Operário queria voltar, eu ofereci a vaga do Ponta Grossa na série A do paranaense em troca da quitação de R$ 100 mil em dívidas trabalhistas – não precisava nem pagar na hora. Mas eles não aceitaram, disseram que preferiam subir por conta. Conseguiram subir só em 2009, mas veja quanto que eles gastaram nesse período”, comenta Mikulis.
Sem disponibilizar de muitos recursos financeiros, mas com muita vontade de voltar a disputar o campeonato, Altayr Bail disse que o retorno só foi possível pela força da torcida do Operário. “Eu me atrevo a dizer que o Operário só subexiste no futebol por causa dessa torcida maravilhosa. O Silvio Gubert e o Sílvio Cosmoski (presidente e vice, respectivamente) entraram no peito e na coragem por quê? Porque sabia que teria o torcedor ao lado dele, que não iria faltar torcida no estádio. Esse retorno foi mais um arrojo diretorial, já que achavam que na segunda divisão não teriam tanta responsabilidade de montar um bom time, achavam que tinha que, no mínimo, participar, sem muito investimento de fora, já que não tinham como garantir recursos. Eles tiveram muita fé e coragem na torcida, com ingresso barato. E não faltou apoio. Tanto que desde a voltar tivemos boa renda, com uma média de cinco mil torcedores por jogo, apresentando uma campanha até razoável”, recorda Bail.
As campanhas seguintes seguiram entre altos e baixos até a ascensão, em 2009. Desde a sua volta, foram seis temporadas disputando a série B do Paranaense, sem deixar de se envolver em episódios conturbados. “De 2005 em diante o time começou melhorar. O que atrapalhou mesmo foi episodio do Bruxo (um escândalo em que o presidente do Conselho Deliberativo, Silvio Gubert, admitiu o pagamento de propina para evitar que o clube fosse prejudicado pela arbitragem – Bruxo seria alguém ligado à arbitragem. Gubert, apontado como ‘ingênuo’, afastou-se do clube). Aquilo foi notícia nacional, e o Operário foi muito prejudicado por envolver a arbitragem e a própria Federação. Superado aquilo em 2006, parceria que o Operário subiria em 2008, lá contra o Foz do Iguaçu. Mas fizeram a bobagem abandonar campo. Estavam ganhando de 1X0, estavam subindo ali, e surgiu o pênalti, contestado em campo. Mas deixassem coisa acontecer, deixassem o bater. Nervosos como estavam, podiam bater pra fora ou errarem”, destaca Bail. Neste episódio, acompanhado por centenas de torcedores operarianos que viajaram para a cidade da fronteira, bastava a vitória por 1X0 que o time segurou até os 40 minutos do segundo tempo. Um pênalti foi marcado contra o Operário, uma confusão se fez em campo e o time abandonou o gramado, alegando falta de segurança. O jogo não terminou e o sonho foi adiado por mais um ano.
Finalmente, em 2009, após 16 anos sem disputar a primeira divisão do Campeonato Paranaense, o Operário, com o grupo gestor, obtêm a classificação para a elite do futebol estadual. Entre 10 times, o Operário passou a primeira fase em quinto. E no hexagonal apresentou um ótimo futebol, perdendo apenas uma partida nos oito primeiros jogos, com cinco vitórias. Quem explica é um dos maiores ídolos atuais do clube, Nivaldo José da Costa, o Baiano, que foi um dos principais protagonistas naquele campeonato. “Cheguei no Operário em 2009, para disputar o acesso. Foi um campeonato difícil porque o clube não estava estruturado como hoje. Mas da mesma forma que foi difícil foi muito gratificante porque jogamos o acesso e conseguimos a vaga após 16 anos sem estar na série A”, afirma. Foi dele o gol da classificação no Estádio dos Pássaros, contra o Arapongas. “Aquele gol do acesso foi muito gratificante, muito especial. Era um jogo difícil contra o Arapongas, fora de casa. E foi um gol muito bonito, então juntou o fato individual de ser bonito e ser o gol que deu o acesso“. Baiano foi o artilheiro do Operário na competição, com sete gols.
Depois, bastou o empate sem gols aqui em Ponta Grossa, no Germano Krüger, diante da Portuguesa Londrinense, para confirmar a ascensão. Para os ponta-grossenses e operarianos, esse jogo, no chuvoso dia da festa de Sant’Ana, foi o do adeus aos momentos de sofrimento. “Naquele jogo de acesso o estádio estava cheio. O registro oficial era de oito mil e quinhentos, mas falam que tinha mais de 10 mil”, recorda Defino. “Aquele jogo foi fantástico, a vibração, o povo atravessando de joelho o campo, na chuva. A torcida do Operário literalmente lavou a alma naquele dia. A grande festa na Avenida, também… enfim, foi uma maravilha”. O artilheiro Baiano conta que um episódio ficou marcado em sua memória naquele fim de semana. “ Todos aqueles torcedores em baixo de chuva, e depois aquela carreata para a Avenida são inesquecíveis. Uma imagem que eu não esqueço é de um senhor que não tinha uma perna, que subiu tudo isso aqui de muleta, foi acompanhando o caminhão do Corpo de Bombeiros daqui do Germano até a Avenida, na chuva. Então são coisas que eu falo sempre e que nunca esqueço. A paixão do ponta-grossense pelo Operário é muito grande e isso marca a gente, destaca o artilheiro.
O Operário perdeu a última partida do hexagonal para o Roma no estádio Bom Jesus da Lapa, terminando o campeonato empatado em pontos com o Serrano, de Prudentópolis. A desvantagem no saldo de gols, por dois tentos, rendeu ao fantasma alvinegro o vice-campeonato, e adiou mais uma vez o desejo de trazer um troféu paranaense para casa – uma seca que já dura 43 anos.


Time reaparece no cenário nacional disputando a Série D

Publicado em 1 de maio de 2012.
Por Fernando Rogala (JMNews)

O retorno de um time histórico para a Primeira Divisão do Campeonato Paranaensee um emocionante ano centenário que reflete a história do time com derrotas e glórias

Em 2011, após uma bela campanha no paranaense, terminando
em terceiro, disputou o título de“Campeão do Interior” com o
Cianorte, mas foi derrotado nos pênaltis em pleno Germano Krüger
Para quem havia acabado de subir da divisão de acesso, como vice-campeão da Série Prata, mal sabia o torcedor o que lhe esperava durante 2010. Muito se falava em “fazer um campeonato paranaense com cautela para não cair”. Manter-se na primeira divisão seria, em teoria, o grande objetivo naquela derradeira estreia na elite do futebol paranaense depois de 16 anos. É a fama do fantasma guerreiro que sempre surpreende faz jus ao apelido.

“Se nós parar para analisar e fazer um panorama de 2009 pra cá, não há o que reclamar. É claro que a torcida pode não estar plenamente feliz no centenário, mas recentemente todos os times tiveram problema no centenário. Mesmo com estruturas gigantescas, o Coritiba e o Corinthians, por exemplo, caíram de divisão no brasileiro ao completar 100 anos”, recorda Julio Cesar Gonçalves.
O radialista esportivo recorda as dificuldades enfrentadas pelo clube, mas que foram superadas em campo. Uma boa colocação no campeonato paranaense e a classificação para uma vaga na primeira edição da Série D com Campeonato Brasileiro. “Em 2010 começou a responsa da primeira divisão, que era muito diferente. Mesmo assim, no primeiro ano, foi quinto no paranaense. Poxa, o grupo gestor, com Dorli Michels e toda dificuldade financeira que teve, fez trabalho espetacular. Claro que houveram todas as criticas, ninguém consegue acertar tudo, mas no geral, muito bem. Mesmo com dificuldade de viajar eles foram sexto no brasileiro que contou com 40 times. Depois dos jogos, na segunda-feira eles não sabiam nem se teriam dinheiro pra pagar a viagem, o hotel e a alimentação dos atletas no domingo. E enfrentou e ganhou de times com estrutura espetacular como o Joinville. Encarou times com investimentos tremendos, com jogadores de quase R$ 40 ou R$ 45 mil e mesmo assim quase passou. Eu nunca mais vou esquecer aquele jogo lá no Rio contra o Madureira, o nosso goleiro Ivan com problema, o goleiro reserva fora, tiveram de jogar com um menino do juvenil o Thiaguinho. E mesmo assim termina em sexto no brasileiro, quase subindo pra série C”, declara.
O atacante Baiano, que posteriormente foi jogar no algoz do Operário naquela Série D (Madureira), lembra que a falta de estrutura prejudicou o time. “Eu acho que 2010 foi coisa do futebol. O Operário não estava estruturado para a Série C. A gente tinha de tudo para passar, mas fomos nos empurrões, o clube tinha dificuldade financeira, e acho que tudo isso influenciou. Tentamos dentro de campo até a última partida do acesso, mas acho que ali foram os deuses do futebol mesmo que não quiseram que a gente subisse. A gente e o torcedor merecia, mas não havia estrutura. Hoje o Operário está mais estruturado, mais preparado, então acho que na próxima vez que nós disputar o brasileiro, o acesso ficará mais fácil com um calendário no ano inteiro”, acredita o craque.
Em 2011 o Operário apresentou a sua melhor campanha no paranaense em 20 anos, conquistando uma honrosa terceira colocação. A empreitada garantiu uma comemorada vaga para a Copa do Brasil de 2012. “Aquele Time incomodava os anfitriões. O pior visitante era o Operário, que quase surpreendeu o Coritiba aqui, e ganhou do Atlético lá em 2011. Fora ele perdeu só para o Coritiba [3X2]. Essa conquista na vaga da Copa do Brasil fui um fato relevante e histórico. Um campeonato que tem três times grandes de Curitiba e ter e força para ficar na frente de outros times fortes, foi muito bom” diz Bail. Em contraste, no brasileiro da série D, o time não apresentou bons resultados. “No paranaense foi uma campanha exemplar, disse muitas vezes que era melhor que o Atlético Paranaense e que merecíamos terminar em segundo. Mas a Premiere Soccer, que dava aporte financeiro, errou ao não segurar o Ivan, o Lisa e o Cambará. Aí fomo para a Série D com mais de um milhão e meio gastos apresentando uma campanha pífia, que não passou da primeira fase. Tá certo que enfrentaram dois paulistas, mas poderia ter conseguido acesso. Se mantivesse o time, muito provavelmente conseguiria ir à frente, como o Oeste que conseguiu, que foi galgando e era do grupo do Operário”, acredita Julio Cesar Gonçalves. Entre os 40 participantes o clube terminou em uma 24º colocação.
Sem grupo gestor e o aporte financeiro terceirizado, o Operário teria de enfrentar um grande desafio no centenário: caminhar com as próprias pernas. Dificuldades eram previstas e elas se confirmaram. “Neste ano voltamos a sofrer com a falta de investimento e do abraço da cidade. Só para colocar esse estádio em ordem para poder disputar o campeonato gastamos quase R$ 200 mil. Despesas que outros times como Roma, Arapongas, Londrina e Cianorte não tem, prefeitura banca. Foi quase como quando eu voltei, quando ninguém queria assumir, eu mesmo quase não quis, com um passivo de R$ 300 mil – que não era culpa de ninguém, coisas de futebol mesmo. Para este ano tivemos que conseguir em campanhas, com associados, com rolos, foi uma loucura, tivemos de fazer algumas dívidas, mas colocamos o clube na disputa”, declara Iurk, lembrando que o Operário é um dos poucos que tem o time de futebol, o patrimônio do time e o clube social.
O primeiro turno do campeonato paranaense foi quase trágico: apenas duas vitórias em onze jogos e uma décima colocação entre os 12 clubes em disputa. Tanto que, ao fim dele, o presidente Iurk falava que seu único objetivo seria não cair para a segunda divisão. O segundo turno começa e logo vem uma goleada do Atlético em Curitiba por 5X0. Quatro dias depois a primeira participação do clube em uma Copa do Brasil e um novo vexame: em suas dependências sofre um revés por 4X0 do Juventude e sequer tem a chance de disputar o jogo de volta em Caxias do Sul. Eliminado em casa. “Em 63 anos como torcedor, esse foi o primeiro jogo do Operário em minha vida que eu saio antes do árbitro apitar o término. O jogo reserva muitas surpresas em um minuto, então nunca saio antes. Mas aquele… foi por muita frustração mesmo. Nem sei em quantos minutos saiu o pênalti. Quando fez o quarto eu saí. Pra mim foi como uma expulsão, como se me expulsassem de dentro do estádio. Como quem diz: ‘o que você está fazendo aí ainda? Já está 4X0’. Nunca me senti assim”, confessa Domingos Silva Souza.
“Foi muito complicado. Vínhamos de um momento difícil no estadual, fazendo um mau primeiro turno. Houve a troca de treinador, o Lio chegou e deu melhorada na equipe. Mas tinham vários jogadores lesionados, inclusive eu. E a responsabilidade foi minha de jogar. O Lio me perguntou e eu disse que tinha condição de jogar, e a gente foi meia boca tentando ajudar, mas infelizmente não conseguimos. Ficamos tristes pra caramba, acho que foi uma das derrotas mais tristes que tive aqui em Ponta Grossa. Mas são coisas do futebol e a gente aprende com a derrota”, declara Baiano, que retornou ao Operário após um ano e meio.
É, Baiano, parece que aprenderam. As duas grandes quedas parecem que estralaram como dois bofetões na face. O fantasma acordou deu início a uma arrancada espetacular nas rodadas finais a imprensa fazia as contas junto com os torcedores sobre as possibilidades reais do time sagrar-se campeão do segundo turno e pleitear uma vaga na final, contra o Atlético Paranaense, o melhor do primeiro turno. E o ponto culminante da boa fase foi o jogo contra o Coritiba aqui, no Germano Krüger – um jogo que foi tratado pela imprensa esportiva da cidade, principalmente por Juca Francischini, como ‘O Jogo do Centenário’. Segundo Baiano, os jogadores tinham noção disso. “Sempre falaram pra gente essa questão de ser “O Jogo do Centenário” e nós focamos nisso. Mesmo sem condição de ser campeões, tínhamos de fazer uma partida para o torcedor sair orgulhoso nesse jogo especial contra o Coritiba. Na preleção, o Lio focou pra gente dar o melhor. Então entramos em campo de cabeça erguida e saímos de cabeça erguida. O torcedor também saiu feliz e isso foi o mais importante. Fazia tempo que nós não fazia uma partida boa contra uma equipe grande e foi legal por nossa parte fazer o torcedor ter um fim de semana feliz, mesmo sem vitória, mas com um empate, a torcida aplaudiu a gente e saímos com o sentimento de dever cumprido. Essa foi minha partida mais marcante pelo o Operário, não só por ser aqui no Germano e ser o Jogo do Centenário contra o Coritiba, mas por fazer dois gols, sendo um deles de bicicleta. Então foi muito gratificante e tornou a partida ainda mais inesquecível”, completou. O sonho do título, entretanto, foi por água abaixo nesse empate com o Coxa, que viria a se tornar campeão antecipado do segundo turno no Atle-Tiba, no último 23 de abril. O déficit na campanha do primeiro turno também tiraram as chances o alvinegro pleitear uma vaga na Copa do Brasil ou na Série D do brasileirão.
Hoje, Lio Evaristo, que assumiu o comando técnico do alvinegro na sexta rodada do primeiro turno, é apontado como o grande herói e salvador da pátria do fantasma. “Quando eu cheguei aqui todo mundo pedia para que eu não deixasse o time cair porque tava terrível. Depois foi criando expectativa nos próprios jogadores. Alguns que estavam machucados foram jogando, vieram reforços, fomos melhorando, ganhando jogos. Hoje estou muito feliz em estar aqui, só não estou mais feliz pelo desenrolar das coisas, não estar em uma posição melhor, mas faz parte. É muito gratificante dirigir o Operário no centenário, é algo que acontece só uma vez na vida e estou muito contente de participar de tudo isso. Tive também uma aceitação muito boa por todos como técnico e tenho muita vontade de seguir no clube, iniciando um projeto do zero aqui; futebol é continuidade”, destaca o técnico do time.
Apesar da melhora do clube no segundo turno, o presidente Carlos Roberto Iurk confessa que pensa seriamente em deixar a presidência no fim do ano. “No fim do ano quero encerrar a carreira. Tem eleição dezembro e acreditamos em uma transição no mesmo grupo. Não quero mais porque a gente cansa, judia. Esse novo modelo de gestão de futebol profissional , da terceirização de parcerias, mais fácil e tranquilo. Com a saída da Premiere nesse ano nós fomos obrigados a assumir o futebol e digo, do fundo do meu coração, que é difícil tocar o futebol nesse modelo de gestão de clube. É incompatível. Pouco depois da derrota contra o Juventude li na imprensa da Curitiba que estamos tocando o futebol em Ponta Grossa de forma amadora. Eu fiquei pensado e realmente é verdade, não somos na área. Eu não sou do futebol, o Pontarollo e o Maurício também não. Temos que colocar gente da área e digo coma toda franqueza da gente que tem vontade. A verdade é que somos torcedores. E esse mundo futebol é complicado, diferente. Hoje ele deve ser gerido por pessoas que sejam do ramo”, pondera, dizendo que um de seus principais objetivo é fechar o ano sem dívidas.
Caso tivesse conseguido uma vaga para a Série D brasileiro, Iurk diz que um dos objetivos seria iniciar a campanha do sócio-torcedor. Mas a ausência na competição atrasou o projeto para 2013. “Agora, nosso sonho é ver Operário jogar de igual pra times grandes e um dia ver o time, no mínimo, em uma Série B do brasileiro. Temos um projeto com apoio de empresários para conseguir uma vaga na Série B, uma meta que deverá ser cumprida dentro de três anos. Temos muitos amigos empresários que estão tão apoiando e o projeto está sendo bem aceito”, destaca Lourival Pontarollo, empresário e vice-presidente do clube. Iurk não esconde o desejo da criação de um Centro de Treinamentos (CT) para a formação de jogadores de base, mas diz que falta o apoio de investidores, seja da cidade ou seja “de fora”, como ocorreu em Irati. Ele não descartou a possibilidade da municipalização do estádio em troca de um CT. “Seria uma questão de avanço. E de fôlego para o caixa do clube o avanço da negociação com a prefeitura . Vejo como uma possibilidade legal a prefeitura municipalizar o estádio, e a instituição doar uma área preparada com um CT pronto. Seria uma grande possibilidade e de benefício mútuo”, diz o presidente, que destaca ainda o projeto de ampliação do Germano Krüger para 15 mil pessoas, lembrando que já tem 32 plantas prontas e resta a conclusão do projeto que parou por falta de recursos financeiros. “O futuro depende basicamente de trabalhar a estrutura do sócio-torcedor e um CT. Isso é básico hoje no futebol profissional. Precisamos formar jogadores da cidade, raçudos, que a torcida se identifique. Todos os que não têm CT e não revelam jogadores tem uma sobrevivência muito difícil”, destaca Bail.
O Prefeito Pedro Wosgrau Filho não descarta a validade e a legalidade de uma possível troca. Mas disse que isso não irá ocorrer na sua gestão. “O poder público não pode fazer investimento em clube de futebol. Não pode ajudar porque é ilegal e não é certo mesmo. Já a municipalização do estádio é possível, primeiro tem que ver interesse do poder público e dos donos do clube, já que ele tem seus investimentos e tudo mais. É uma coisa a ser discutida e avaliada, mas não mais no nosso governo, que encerra em 2012. Estamos buscando fazer investimentos nas áreas de esporte e em outras áreas que atinjam a população, como reformas e construção de campos de futebol, ginásios, academias, entre outros. O que temos recurso estamos direcionando para essas obras”, declara Wosgrau.
Diomar Guimarães não nega sua posição de oposição à atual diretoria. Para ele, as eleições deveriam ser antecipadas para a metade do ano, para que uma nova diretoria iniciasse um trabalho o quanto mais cedo possível. “O Operário hoje é uma Ferrari com motor de Fusca. enquanto não tiverem noção do tamanho do Operário, não vão conseguir tirá-lo do lugar, precisam colocar um motor de Ferrari para ele decolar. A mentalidade de time pequeno não pode existir mais, precisa haver a separação do quadro social com o futebol profissional. Precisamos ter uma forte campanha de sócio-torcedor e reunir diversos investidores que apoiem mensalmente para o time se manter bem. Então vamos tentar procurar debater isso com amplitude, o Operário não pode ficar na mão de somente 200 pessoas, mas deve haver uma discussão com a imprensa, o torcedor, com conselheiros, associados e atual diretoria”, diz.
Por sua vez, Cândido Neto, profissional de imprensa que não esconde seu amor pelo clube, acredita que os atuais comandantes do clube possam fazer um bom trabalho no futuro – mesmo já para o próximo ano. “É inegável a capacidade do Iurk de admitir bem. Trouxe pessoas que não são referências ligadas ao futebol, mas que se apresentam bem como o Pontarollo, o Maurício e o Tico, que ainda serão grandes dirigentes. A redenção pode não ser agora, mas aos 101 anos, com mais trabalho e os dirigentes mais amadurecidos”, conclui.


Torcedores de PG dão força e vibração ao time da casa

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

A história de uma torcida sofrida e apaixonada que jamais deixou de apoiar o clube, seja nas glórias em outros estados ou após os tristes licenciamentos

A vibrante torcida apontada pelo site Oficial do OFEC
como uma das maiores e mais vibrantes do sul do Brasil
Percorrendo as linhas da história do Operário Ferroviário Esporte Clube no site oficial do clube, há a descrição da torcida como “uma das maiores e mais vibrantes torcidas do sul do Brasil, estando sempre entre as melhores médias de público e renda dos campeonatos que disputa”. Pode parecer papo de torcedor, mas só quem acompanha o clube e presencia esse amor compartilhado no Germano Krüger sabe que é isso e mais um pouco.

“Poucos times do Brasil tem uma torcida ótima como essa. Não há torcida igual no interior do Paraná, nem a do Londrina é igual a nossa aqui. Eles podem até ter mais torcedores, ir 20 mil no estádio, mas não é a mesma vibração. Aqui são 100 anos de glórias”. São palavras de alguém do calibre de Ladel, um dos maiores goleiros que atuaram no Paraná, pentacampeão com o Coritiba e que quebrou o recorde estadual de invencibilidade no Operário, onde se aposentou e continuou morando aqui.
Cândido Neto, narrador dos jogos do alvinegro em uma das rádios da cidade, não esconde a emoção ao falar do Fantasma. Questionado sobre a dificuldade distinguir o amor pessoal com o trabalho profissional, ele fez uma confissão surpreendente. “Eu, que comecei a narrar em 88, não tenho capacidade de separar a emoção de torcedor do profissional. Por isso este será meu último ano de rádio. Estou me aposentando porque não consigo. Temos que separar, mas eu não consigo, eu choro, me emociono no ar. É claro que no programa que eu apresento no dia seguinte não ocorre isso, mas durante as transmissões eu choro ao narrar os gols, minha voz falha. Já falei com o Jocelito e com o Juca que isso está me prejudicando, me judio demais fazendo isso. Não faz bem para minha saúde, então estou me afastando temporariamente”, aponta Cândido, que revelou ter jogado na base do time e disse até ter faltado aulas para ver os treinos do clube.
O experiente jornalista esportivo Altayr Bail chama a atenção para o fato de o clube ter uma torcida renovável e vigorosa. “A torcida do Operário é uma torcida apaixonada. Ela tem um lado muito interessante e positivo que é a renovação. Nessa retirada recente, foram 10 anos fora, mas mesmo quando voltou, em 2004, tinha muitos jovens na torcida do Operário. Então como ganharam gosto pelo time se ele estava fora há 10 anos? Então é muito interessante, passa muito de pai para filho, vê pai, filho e neto no estádio. É uma geração privilegiada que não se deixou vencer pelo tempo. No primeiro ano após a volta, mesmo segunda divisão, a média foi de mais de cinco mil torcedores. Dá para ver que a torcida realmente é sofrida, que sobrevive e enfrenta vários problemas, que acompanha o time onde quer que seja o jogo, mesmo com uma campanha ruim”, declara.
Empresário apoiador e vice-presidente do clube, Lourival Pontarollo foi às lagrimas diante do microfone ao ser entrevistado por uma rádio no início da temporada ao falar da torcida. “Quando cheguei aqui na década de 90, comecei a pegar amor pelo time. E algo que sempre me impressiona é ver toda essa torcida, toda essa vibração do torcedor do Operário”, revelou o dirigente. “Nossa torcida é maravilhosa. Às vezes xingam a gente, mas eu entendo, já estive do outro lado também, já fiquei bravo com diretor por querer resultado. Mas ela é nosso oxigênio, é aquilo que move o time, que dá motivação para os jogadores”, diz o atual presidente Carlos Roberto Iurk.
“O Operário foi uma importante marca na minha infância. Como não existia TV quando eu era uma criancinha pequenina, eu gostava de ouvir os jogos sentada sobre o joelho do meu pai, que ficava me balançando. E hoje eu largo tudo pelo futebol, posso ter um monte de coisa por fazer, mas em dias de jogo, vou ao campo. É muito importante ter algo que goste na vida, lá você esquece de tudo. Sou torcedora de arquibancada, onde ficam os verdadeiros torcedores, próximo aos jogadores, em meio aos que levam o radinho e a gente fica perguntando sobre os lances, sem contar que ali se tem a melhor leitura do jogo”, destaca a jornalista torcedora Marília Woiciechowski, que auxiliou Cação Ribeiro na organização do livro ‘Futebol Ponta-grossense: Recortes da História’.
E quando o jogador vira torcedor, como fica? “Essa torcida é muito marcante. Se tem algo que vou levar pro resto da minha vida e nunca vou me esquecer é do Operário, que conta com um torcedor apaixonado pelo clube. Já virei torcedor mesmo”, declara Baiano, um dos maiores craques do time na atualidade. Vinicius Maciel Gomes, o Pará, que estreou profissionalmente no time de 2010 do Operário, na série D do Brasileiro, e integrou aquele time que ficou em terceiro no paranaense de 2011, também demonstrou seu amor pelo clube. “Minha passagem pelo Operário foi resumida pelo amor, pois amei jogar no clube ponta-grossense. Fiz minha estreia no profissional pelo clube, e isso foi de grande importância na minha carreira. Hoje estou jogando na Áustria, mas estou sempre torcendo pela Família Operário! Sou um torcedor que espera estar voltando ao Operário em breve para dar muitas alegrias a este time, que é o que esta torcida maravilhosa merece. São um bando de loucos, de loucos pelo Operário!”, declarou ao Jornal da Manhã diretamente da cidade austríaca de Bregenz, onde atua no SC Schwarz-Weiß Bregenz.
Atualmente o Operário conta com três torcidas organizadas. A mais antiga delas é a Fúria Jovem, fundada em 17 de junho de 2003, e conta com cerca de 500 membros. É da Fúria Jovem que surgiu a outra torcida organizada, a Fúria Feminina, que reúne as torcedoras do clube integradas à Fúria Jovem. Já a Torcida Trem Fantasma, na sua atual formação, foi criada oficialmente em fevereiro de 2009 e conta com cerca de 300 membros.
Diomar Guimarães não nega o orgulho de ser operariano desde o primeiro dia de vida e diz ser um dos fundadores da primeira torcida organizada do interior do estado. “No dia que eu nasci, meu avô, Alceu Guimarães, que exerceu todos os caros diretivos no Operário, me colocou de sócio. Eu também exerci vários cargos e recebi a homenagem de Sócio Benemérito pelos serviços prestados. Pela minha paixão pelo Operário, fundei a TUF, que era a Torcida Unida do Fantasma, foi a primeira torcida organizada do interior do estado. Depois ainda fundamos a Torcida Trem Fantasma” destaca. Exceto pelo nome, a atual torcida ‘Trem Fantasma’ não tem ligação nenhuma com a da década de 1980.
Apontado como um dos torcedores mais fanáticos do clube, Benedito de Godoy chegou a Ponta Grossa em 1979, pegou amor pelo time e fundou, junto com amigos, a ‘Real Torcida Operariana, que durou entre 1980 e 1988, além de se envolver com cargos ligados ao clube. “O Operário representa muito pra mim. O Operário faz parte de mim, de minha emoção, já tive muitas alegrias com ele. Mas eu não sou o torcedor mais fanático, não. Há alguns mais fanáticos que eu. Tenho um amigo de Fortaleza, por exemplo, que fez a assinatura do Paranaense só para assistir o Operário”, diz o modesto torcedor, que vai a todos os jogos do alvinegro, mesmo nos realizados na casa do adversário.
“A torcida do Operário sempre foi vibrante. Na década de 1960, em que o presidente era o Singer, um porcadeiro, a parte de trás do estádio, perto do muro da Rede, era um estacionamento. Então alguns amigos do presidente entravam com o caminhão lá e era uma festa, eram 20 ou 30 caminhões, às vezes até com porcos dentro. Quando o time entrava em campo era aquele buzinaço”, recorda o torcedor Domingos Silva Souza. “Ah, aquela torcida era fabulosa. Quando e eles abriam aquelas buzinas a ar dos caminhões quando nós entravamos em campo ou saía um gol, olha, era de arrepiar. Impressionante como a torcida do Operário era e é fabulosa”, completa o craque Jairo.
Para o pesquisador Ângelo Defino, o estádio é um local familiar. “Minha paixão vem de família. Minha bisavó foi uma das primeiras torcedoras e seus irmãos um dos fundadores, e meu avô, Odilon Mendes, foi presidente por três vezes. Meu pai me leva desde os cinco anos e até hoje eu vou com ele, em uma paixão cada vez maior, que é um pedaço da gente, um pedaço da nossa história e da nossa cidade. Muito se fala do estresse na medicina, e o futebol é uma válvula de escape, serve para desabafar o excesso de obrigações e das correrias do dia a dia. E ser torcedor não é apoiar o time só nas horas boas, mas também nas difíceis. Nós não vamos ver a vitória, vamos ver o Operário. A gente quer que eles joguem com raça e vontade, que honrem a camisa e nos representem”, destaca. Ele, como pediatra, recomenda que os pais que levem seus filhos ao campo. “Os pais reclamam pra mim que não têm muito tempo para conversar e conviver com os filhos, que passam no trabalho o dia inteiro, quando chegam ou saem, eles estão dormindo ou na escola. Então eu recomendo a esses pais que levem a criança no campo, porque quando se vai com uma criança, precisa chegar uma hora antes pelo menos, não vai chegar na bagunça, e sai uns 15 minutos depois. Então se tem o jogo inteiro, uma hora antes e depois para o pai conversar com a criança, perguntar como está na escola, enfim, ter aquela convivência. Meu pai me criou assim e acho que ele fez muito bem. Grandes conversas e ensinamentos com ele foi no campo do Operário”, recorda.

 
Uma nação formada por ídolos centenários

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

Ao longo de sua história no futebol, nessas dez décadas de existência, o Operário Ferroviário contou com grandes jogadores, que se tornaram ídolos da torcida
Credito: Sádico

É manhã e os ponteiros do relógio indicam que são 6h15 de um dia qualquer. Os primeiros raios solares penetram o breu da madrugada, que agora vai dormir, indicando o início de mais um dia para a civilização, iluminando uma cuia de chimarrão sobre uma mão. Do último lance de degraus da arquibancada coberta do Germano Krüger, do ponto mais alto do estádio, logo à frente de uma das cabines da imprensa, está um senhor a observar o gramado. Gracindo, como uma coruja – o pai coruja do estádio – está a examinar o que fará neste dia. “Aquele lado ali. esse era o lado bom, o lado de baixo, a descida do Germano”, disse, apontando para a trave que fica para o lado das oficinas, o lado histórico, da história. “É o lado da torcida, da curva. Se sai um gol é só correr e é aquela euforia”, aponta ele que se aposentou do futebol, mas nunca de seu amor pelo clube. José Gracino Sobrinho deixou de ser ex-craque para se tornar um personagem mítico, que ganha um salário mínimo para fazer a manutenção com todo o carinho e cuidado do mundo. Ele é, sem dúvidas, um dos jogadores do passado mais idolatrados. “Não teve nem presidente nem diretor mais operariano que o Gracindo. Ele vive no Operário. Ele pega a faquinha e vai no gramado tirar mato. E não é de hoje que ele faz isso, em 79 ele já estava comigo lidando e ainda jogava. Um dia nós estavamos jogando no campeonato e apagou refletor. Sabendo onde caiu a chave, ele, que estava no campo, jogando, de uniforme saiu do time, pulou o alambrado, ligou e voltou a jogar. Ele é fantástico”, aponta Mikulis Durante esse trabalho, procurou-se fazer uma seleção de todos os tempos. E a melhor conclusão que chegamos foi que aquele time de 1961 é o definitivo. Não só porque foi o melhor grupo que já passou pelo clube, lembrado praticamente como unanimidade entre os entrevistados, mas como uma forma de homenagear os personagens daquela histórica escalação que contava com Arlindo, Daniel, Ribamar, Laércio Hélio Silvestre, Fiuza, Roberto, Jairo, Sílvio, Leocádio e Otavinho – além de Candinho, o 12º jogador. Durante a temporada de 1961 o plantel do alvinegro também contou com Ney Marçal, Madalozzo, Raimundo, Jango, Zeca, Hélio Dias, Ico Dias, Zanetti, Altemir e Uliana. Há de se destacar também Zeca e Alex, que compuseram o ataque alvinegro no final da década de 1950.
Historicamente também o clube teve muitos goleiros bons. Começou já na década de 1910, com Tuffy Nejen, o ‘Satanás’, que, segundo o livro de Cação Ribeiro, tornou-se o goleiro da Seleção Brasileira de Futebol. Outro goleiro operariano também defendeu a uma Seleção (a Seleção Gaúcha, que representou o Brasil em 66 e foi campeão na Taça Bernardo O´Higgins, no Chile) foi Arlindo, que saiu do Operário em 1963 e foi para o Corinthians (como Tuffy) e depois fez história no Grêmio, tornando-se seis vezes campeão gaúcho. Outros goleiros de grande expressão foram Romano, ainda na década de 20, que comoveu a cidade com sua morte e ganhou um túmulo do clube, bem como foi homenageado por clubes da capital; e Ladel, outra lenda viva do gol operariano. Há de se destacar também as atuações de Toco (Pedro Wosgrau, que formava o ‘Trio Final’ ao lado de Bonato e Pazinato) e Ney Marçal, que fecharam o gol operariano entre as décadas de 1940 a 1960. Diomar Guimarães lembra de outros três mais recentes, João Marcos, Dicar e Joceli. Na década de 2000, o goleiro Danilo foi outro grande ídolo do time de 2009 e Ivan do de 2011.
“Na década de 1950 tinha o Miguel, que fazia dupla com o Otavinho. O Zeca era liso de bola, os caras sofriam para marcar ele, marcou muito. Antes dele tinha o Adelar, o ‘Pintado’, que era o oposto do Zeca, era um cavalheiro em campo. O Wosgrau eu vi jogar pouco, então prefiro o Arlindo. Na zaga, Jango e Bonato. Em 1969 teve o Ferrinho. O Paraílio, que era o Motorzinho, e Hélio Dias e o Duílio, enfim, todos esses marcaram época no Operário”, lembra Domingos Silva Souza.
O pesquisador e torcedor Ângelo Defino faz uma breve análise por décadas. “Nos anos 20 tivemos o Brandalize, que foi um dos fundadores do Ferroviário e o Ernesto. Na década de 1970 o Renato Jacaré, o Osni e o Gracindo, que virou bandeira. Na década da casa temos pratas da casa como Pompéia, Charuto, Miranda, Dutra, Josnei, Nilson, Renato… É somos bons de ídolos! Nos anos 90 tem o Dico, o Oliveira, Celso Reis, Liminha, Éder”, recorda Satyro, ex-jogador do Guarani na década de 50, ressalta a qualidade dos jogadores do Operário que ele encarava “A dupla zaga Pazinato e Bonato eram dois homens de quase dois metros de altura. Você disputava uma bola com eles, e mesmo com o corpos avantajados, não te encostavam. Jogavam numa delicadeza que eram tão técnicos que tomavam bola adversário sem usar o corpo”, destaca.
“Na década de 1980 tivemos um ponta-direita, o Adenilson, que foi o melhor jogador que vi jogar nessa posição no Operário. Em um jogo contra o Londrina ele pegou a bola no campo de defesa do Londrina, driblou o time inteiro e fez o gol. O Padreco se destacou em 1969. Naquele time do Mikulis tinha uns bons também, como o Serrano que era muito bom jogador. Teve muita gente boa no operário.
Além dos três goleiros (João Marcos, Dicar e Joceli, já citados, Diomar faz uma escalação dos times que ele viu jogar por posições. “Lateral direito o Ronaldo, que jogou no Corinthians e na Seleção, e o Gracindo. Zagueiro central o André Cajarana, o De Lazzari e o Ricardo, da década de 90. Teve o Dimas também. O Zé Luís, que jogou entre 1981 e 1982, e o Edinelson foram bons como quarto zagueiro. Na lateral esquerda tivemos Flavio Miranda, de 1990 e Ojeda, de 1981. Tivemos bastante volante, como Niel, Salomão, o Celso, que veio do Santos, Draílton, Mocoró e Cambé. Como segundo volante, a torcida não gostava muito dele, mas o Werner era muito elogiado pela imprensa de Curitiba, sem contar ainda o Leomar e o Serginho Paulista. Terceiro homem de campo se destacaram o Danilo Oliveira em 1990, o Dagoberto e o Cambará. Os atacantes que marcaram foram Adilson, grande artilheiro, o Sapuca, que virou ídolo, Adalberto, o Adenilson, que ninguém pegava, Celso Reis, Nikinha e Liminha”, declara.
Em 2004, no retorno, além de Ricardo Pinto como técnico, o Operário contava com Leomar e Carlos Alberto Dias, que haviam jogado pela Seleção Brasileira, Clóvis e Edinelson. Entre os principais ídolos recentes estão o lateral Lisa, prata da casa (embora não ponta-grossense) que atuou pelo Atlético Paranaense e hoje encontra-se no Paraná Clube; e o Atacante Baiano, que até o fechamento desta edição, restando apenas um jogo para o fim do Campeonato Paranaense, era o artilheiro da competição, com 13 gols.
Cação Ribeiro, em sua obra sobre o futebol ponta-grossense, destaca ainda jogadores como Bach, Alberto Piva, Tito Piva, Oscar Serra, Irmãos Meister (Ewaldo, Arnoldo e Alvino), Lulo Martins, João Simonetti, Chicharrão e José Ramos. Paraílio, que estreou no clube em 1937, é apontado como um dos melhores ponteiros do futebol da cidade, com ‘ginga à Garrincha’, segundo a publicação.


Incentivo e dedicação ao Operário

Publicado em 1 de maio de 2012
Por Fernando Rogala (JMNews)

No atual momento do futebol, a busca por parceiros é fundamental para o sucesso do clube. Grupo MM MercadoMóveis, patrocinador máster do clube, é um dos principais apoiadores
Empresário Márcio Pauliki, do MM Mercadomóveis

Depois do retorno ao futebol profissional, em 2004, o Operário contou com o apoio de diversas empresas ponta-grossenses de diversos setores. Entre elas, o Grupo MM MercadoMóveis foi um dos maiores incentivadores do clube para que ele chagasse onde está. “Hoje a empresa de Ponta Grossa que mais acredita no Operário é o Grupo MM. Faz cinco anos que estamos acreditando no Operário, desde em tempos não tão bons, na época em que ele estava na Segunda Divisão. Estamos com o time, inclusive, não só patrocinando, mas junto do clube nos projetos de marketing, tentando vender cotas, apoiando no possível na busca por apoiadores”, declara Márcio Pauliki, superintendente do Grupo MM.
Pauliki destaca que as conquistas atuais do clube, como a ascensão à primeira divisão em 2009 e as participações em campeonatos nacionais entre 2010 e 2012, só foram possíveis através da confluência de três forças: o apoio dos patrocinadores, a força da apaixonada torcida e a credibilidade da diretoria. “O fato de ter apoiado o clube lá na Segunda Divisão, onde a mídia para a empresa é pequena, acredito que foi preponderante para o Operário hoje estar aí. Mas ainda acho que o maior peso para o clube subir para a primeira divisão foi a torcida. Não adianta um time ser patrocinado e não ter torcida como a do Operário. A competência do atual presidente, o Iurk, que é um cara muito sério e conta com uma equipe muito séria ao seu lado, também contou muito”, aponta.
Entre os principais motivos para acreditar e apoiar o Operário, o superintendente do grupo revela que faz parte do DNA da empresa a política do bom bairrismo, de apoiar as boas causas da cidade e de aplicar e devolver à cidade o que se ganha dela, não visando o lucro. Até porque, segundo ele, o fato do time se destacar a nível nacional nos principais telejornais e exibir o nome da cidade para todo Brasil, faz o ponta-grossense sentir-se bem e ter sua autoestima elevada. “O esporte mexe muito com essa autoestima. Quando vemos nosso time vencendo, sendo destaque na imprensa nacional, falando sobre ele e, consequentemente, da cidade, é uma forma de mostrar que ‘ó nós existimos, estamos aqui, somos organizados, competentes, somos bons, somos competitivos’. E acho que apoiar o Operário é a forma mais eficiente”.
Para o futuro, Pauliki acredita que o Operário possa a realizar boas parcerias. Para isso, deve promover uma grande mobilização estruturada em prol da causa, possibilitando ao clube ostentar mais conquistas. “Para o operário poder crescer no futebol, precisa de dinheiro. E isso só se consegue com bons patrocinadores. Como empresas da cidade, somos limitados. Acho que o Operário precisa de R$ 2 milhões para fazer um bom campeonato, então precisamos dar o maior apoio, formando uma comissão com pessoas da sociedade civil, empresários, poder público, secretário e prefeito com sua representatividade, para conversar com as grandes empresas de São Paulo e de ‘fora’”, esclarece.
O superintende se diz grato em ter a oportunidade de levar a marca na camisa sagrada do clube e exalta a data comemorativa. “A história demonstra que não é só o esporte que está no sangue do Operário, mas a força motriz dos nossos cidadãos dos trabalhadores ferroviários que construíram uma cidade. Homenagear o Operário é homenagear os trabalhadores da cidade que constituíram esse grande time. Por isso esse nosso Fantasma será um eterno campeão seu passado de glorias vai se multiplicar. Juntos podemos juntos fazer com que o Operário faça não só ele, mas toda cidade aparecer no cenário nacional. E por que não internacional? Rumo a Tóquio!”